Desconstrução da mulher princesinha

Não é só uma data comercial, o Dia das Mulheres nasceu como forma de luta, por diretos iguais, fim do machismo e o fim da opressão feminina.  A desconstrução da princesinha precisa ser feita. A mulher não é apenas o sexo frágil que não consegue fazer nada, que é totalmente dependente e só fica em casa limpando a sujeira que as pessoas fazem.

O Dia da Mulher não é para ser uma homenagem bonitinha feita pra mulheres singelas e de sorrisos largos, ah, mulheres, tão lindas e geniais, que os homens tanto amam. Hoje é o dia de colocar a discussão em pauta, para debater as questões e falar sobre luta e direitos das mulheres, não é dia de falar sobre tpm e salão de beleza. Queremos descontruir à princesinha que nos é imposta.

Falar de mulher em tom leve não combina com este dia, o assunto é sério, por isso existem tantas manifestações negativas sobre campanhas paternalistas. Algumas pessoas reclamam por ser um exagero, que as reações a essas campanhas são desnecessárias, que é tudo frescura, que as mulheres ‘normais’ também devem ser lembradas. O que seria mulheres normais? A única opressão não é a explicita e a agressão não é somente física. Um padrão de beleza é sim uma opressão massacrante.

O capitalismo de antes ainda não deixou de lucrar em cima das mulheres, além da desigualdade salarial ser ainda um caminho longo a percorrer. O dia que deveria ser usado para uma discussão a respeito do assunto e outros problemas, foi sendo esvaziado de conteúdo e entregue a um reducionismo sem fim. Ainda hoje a mulher a ser homenageada, segundo essa visão, é entregue ao estereótipo da beleza. Não é à toa, e infelizmente, as vendas de cosméticos, roupas, sapatos e eletrodomésticos ultrapassam o limite do que é vendido durante o ano.

A data de hoje, 8 de março, é muito importante pelo simples fato de que a mulher ainda é oprimida. O dia em que formos tratadas como iguais esse dia será transformado em comemoração, mas até lá a luta continua. É preciso abrir os olhos dos que ainda não sabem que sete de cada 10 mulheres são agredidas ao longo da vida – dado da ONU – e que essas mulheres não estão longe de você.

A violência acontece em qualquer lugar, no seu prédio, na sua rua, no seu bairro… Com certeza você tem algum caso na sua família, com a sua prima, sobrinha, tia, sua vizinha, sua colega de trabalho, a amiga da sua amiga, sua chefe e até mesmo uma juíza. Pode ser que aconteça com você. A violência contra o sexo feminino não escolhe cor da pele e nem classe social.

Ela existe porque ainda vivemos sobre o comando de seres iguais que se acham superiores. É obvio que já conquistamos muita coisa, mas ainda temos inúmeras para conquistar, não chegamos nem perto de realmente reestruturar a sociedade para que seja igualitária e justa.

Desconstrução da mulher princesinha

Quer agradar as mulheres? Não precisa de presentes, flores ou chocolate. Coloque-se ao lado delas na luta por salários equivalentes, pelo direito de se vestir como quiser e não ser estuprada, contra as piadas machistas feitas nas mesas de bares, respeite a autonomia de seus corpos, seja ela branca ou negra, rica ou pobre, hétero ou homo. Lembre-se que o Dia Internacional da Mulher é, sobretudo, uma data de desconstrução da mulher princesinha e luta.

O caminho é longo, enorme. Milhares de anos serão precisos para desconstruir e reconstruir, para quebrar paradigmas implantados nas mentes femininas e milhares de estereótipos a quebrar.

Parabéns Mulher! Mas é parabéns pela força, vontade de lutar e de nunca desistir de fazer desse mundo um lugar melhor!

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